2017-05-30 - Smith Creek (1)-Rhon (God)Viajar é fazer tudo: planejar, organizar, estudar, trabalhar, juntar dinheiro, limpar e, principalmente saber quando partir e quando voltar! Despedidas e reencontros fazem parte de nossas memórias, como também as paisagens, os causos, os sustos, a tranquilidade e a espera.  Durante esses sete anos que viajamos no Teasa, nosso veleiro, nosso lar, vivemos aventuras dignas de aventureiros. Pedalamos, remamos, caminhamos, deixamos as mazelas para trás e sempre estamos em paz, mesmo quando a perdemos por alguns momentos!

Hoje sabemos que não podemos parar! Não podemos ficar, pois partir para lá e depois para acolá é o nosso combustível para a vida e para a harmonia a dois. Somos felizes se estamos com a família e, também se estamos viajando. Se estamos parados, também somos felizes desde que não seja por muito tempo! E, se estamos parados, estamos planejando a próxima viagem e tudo o que envolve o antes e o depois!

Em nosso caminho vamos conhecendo pessoas que nos perguntam a respeito de tudo, dinheiro, relacionamento, planejamento, coragem e acidentes. Como pessoas da tão abalada classe média do Brasil podem viajar? Pessoas normais viajam? Por quê não abrimos outra pizzaria e trabalhamos mais? Como tivemos coragem de deixar a pizzaria Del Popollo nas mãos de nossas filhas e fugir de casa? Pior, como deixamos as meninas e partimos?

Mas somos assim! Um pouco corajosos, um pouco aventureiros e confiantes, um tanto doidos e, principalmente livres. Eu e Daniel somos nós!  Se estamos juntos velejando em paz num céu de brigadeiro ou encalhados em Cuba, pedalando em paisagens belíssimas ou batendo com o Teasa no portão de uma lock (eclusa), reencontrando amigos que pensávamos que nunca mais reencontraríamos, ou perdendo a placa solar num paredão de vento e chuva que nossos olhos não acreditavam. Sim! Juntos, eu e o Dan, somos felizes, viajando ou ficando!

Vixi, acho que respondi a pergunta que mais nos tem chegado nos últimos tempos. Como vocês dois conseguem ficar juntos por tanto tempo? Tá ai, não tem segredo, não tem esforço! Juntos ficamos bem, resolvemos nossos problemas e nos divertimos, viajamos e continuamos a sorrir, planejamos e sonhamos. E, se brigamos, não estendemos as brigas, a raiva ou o desconforto. Os desentendimentos não duram muito, pois sempre temos pessoas para encontrar, paisagens para conhecer, o Teasa para consertar, limpar e fazer manutenção, assuntos pendentes esperando solução, planos e mais planos e, quando voltamos para casa, que não balança, aqui em Maceió, revemos os amigos, a família e trabalhamos muito em nossa terceira filha a pizzaria Del Popollo, que quebramos, mudamos paredes, pintamos e atendemos os clientes como se estivéssemos reencontrando amigos de longa data.


E ai vem a segunda resposta! Gastamos o dinheiro que juntamos enquanto trabalhamos e vivemos de algumas casas alugadas que o Dan construiu para garantir nossa aposentadoria, além do que a pizzaria ajuda a pagar algumas despesas, como plano de saúde e passagens aéreas. Nossa viagem é confortável, mas sem excessos, pode-se dizer que somos um tanto mão fechada, pão duros ou econômicos! Uma calça vira bermuda e depois short, camisetas, viram panos de limpeza e depois pano de chão e assim caminhamos, navegamos ou pedalamos com a consciência dos quem não tem muita grana, mas insistem em viajar. Somos comedidos, cozinhamos no Teasa e ancoramos na maior parte do tempo, procuramos marinas só em caso de grandes tempestades, acidentes ou quando voltamos para casa. Ok vamos para a parte prática:

DESPESAS (dólar americano) em nossa última temporada (Virgínia ao Canadá, maio à outubro 2017). Uns 3 meses antes de viajar compramos alguns peças de reposição: 880,00 e uma ancora Mantus de 35 libras:  330,0o.

Alimentação: 2.000,00, transporte terrestre: 761,00, taxas de parques: 294,00, combustível para o Teasa: 374,00, manutenção e peças: 721,00, gás de cozinha: 70,00, organização: 420,00, marinas: 155,00, restaurantes, sorvetes, snacks e outras besteiras: 358,00, medicamentos: 14,00, equipamentos: 660,00 Iphone que utilizamos para navegar, tínhamos 1 Ipad, mas acreditamos que quem tem 1 não tem nenhum e quem tem dois tem um só e quem tem 3 pensa que tem dois! Atualização carta náutica eletrônica (Bluechart) 50,00 e, por fim, AT&T (sim card) com internet: 250,00. Totalizando 6.127 dólares americanos, dando um gasto mensal de 1.225,00 dólares.

E, para deixar o Teasa na Dutchmans Cove Marina por 8 meses: 1.460,00 dólares (183,00 por mês).

Quanto a organização o Daniel sempre começa se organizar uns 3 meses antes de nossa partida. Eu quase não ajudo, pois trabalho todas as noites na nossa pizzaria, a Del Popollo. E olha que já é trabalho para gente que gosta de trabalhar, e muito! Ele começa a comprar peças de reposição e procurar passagem de avião numa época em que pedem menos milhagens. Já deixa carro alugado, quando necessário ou o translado até o Teasa. Por exemplo, no próximo ano (próxima temporada) não alugaremos carro, pois existe transporte do aeroporto de Toronto à Penetanguishene, onde está o Teasa.

Agora só em outro post vou responder mais perguntas, pois tenho que ir trabalhar!

Ir e voltar, ficar e viajar!
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