Escolhemos viver viajando, mas também queremos ter um local para onde voltar, uma casa para chamar de lar, por isso optamos pela praticidade das casas pequenas e, se possível, que nos levem pelos caminhos de nossas aventuras.

Uma de nossas casas é bem engraçada! O TEASA, um veleiro de 37 pés onde moramos por alguns meses, que muda de lugar ao sabor dos ventos, das correntes e de nossa vontade. Já visitamos locais incríveis, conhecemos pessoas especiais e planejamos ir mais longe. Também, moramos em Maceió-Alagoas, em uma pequenina casa, mas o suficiente para acomodar confortavelmente eu e o Daniel. Somos felizes nas duas casinhas, uma que nos leva para onde sonhamos e outra que nos abriga, fornecendo descanso e a oportunidade de estarmos em família.

O TEASA é um forte veleiro, daqueles das antigas! Construído com uma grossa camada de fibra, já enfrentou algumas situações dramáticas, como ficar amarrado no guardrail embaixo de uma ponte, após garrar numa forte tempestade na Carolina do Sul em 2010 ou ficar encalhado por 5 horas em cima de arrecifes enquanto fazíamos a circunavegação por Cuba em 2015. Nós mesmos damos a manutenção no TEASA, consertamos, trocamos equipamentos, pintamos casco e o fundo, abaixamos o mastro e tudo mais. Um Trinidad 37 de 1.989, com um confortável cockipit central, uma ampla sala, janelas por todos os lados, uma pequena suite e muita proteção contra as intempéries e o sol. Com motorização da mesma idade do barquinho segue firme e forte. Compramos o TEASA em 2.010, reformamos e, com ele, iniciamos e terminamos o American Great Loop, uma viagem impressionante e repleta de surpresas. Nossa casa engraçada, o TEASA, balança – as vezes até demais, nos dá alguns sustos e enquanto navegamos passamos por alguns estresses, mas com ele temos a chance de viajar sem nos preocupar com despesas como hotéis e restaurantes. No TEASA cozinhamos, dormimos, transportamos nossas bikes, recebemos amigos, descansamos e visitamos locais lindos, paisagens de tirar o folego, escolhemos ancoragens calmas ou barulhentas, navegamos por rios, lagos e atravessamos eclusas impressionantes. Demos a volta em Cuba, visitamos as Bahamas e conhecemos o Canadá e os EUA.

Por enquanto estamos navegando pelas águas do Atlântico Norte, com bastante cuidado e respeitando a época certa, pois não queremos conhecer de perto nenhum furação, os rigores do inverno ou a imprevisibilidade de um tornado. A opção de velejar nas Américas central e do norte cabe em nossos bolsos, pois ancoragens e locais protegidos não faltam e são gratuitos e, também facilita nosso retorno ao Brasil após o término de cada temporada.

Para cada ano que retornamos e reencontramos o TEASA eu chamo de temporada. O início e o final dessas temporadas estão sempre relacionadas à estação do ano e nossa localização. Até hoje completamos 6 temporadas de 5 à 6 meses cada, em locais diferentes, com experiencias únicas e muitos encontros e reencontros.


Nossa casa em terra é uma Kitnet, que surgiu da transformação de um ponto comercial em nosso lar. A ideia ou necessidade surgiu em 2015 quando a Dani se casou com o José e ficou claro que eles precisavam morar próximos à pizzaria e, ainda cuidar dos bichos e do jardim, principalmente quando eu e o Dan estivéssemos fora. Nesta obra o Dan transformou um feio conjunto de salas ao lado da pizzaria em conforto, praticidade e beleza. Com apenas quarto, cozinha e banheiro não nos dá trabalho e, principalmente oferece o privilégio de estarmos sempre reunidos com a família para o café, o almoço ou apenas um bate papo. Gosto de pensar que vivemos em um lindo cortiço, daqueles antigos, com uma pequena horta, diversas trepadeiras com flores perfumadas, cães, gatos e passarinhos. Estamos sempre cuidando das plantas, dos bichos e de nós mesmos.

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