A vida nos levou a ousar, sendo mudando de São Paulo para Maceió,com o objetivo de recomeçar uma nova vida ou navegando pelos mares do Atlântico Norte sem muita experiência. Eu e Daniel nos conhecemos em 1.979, nos casamos e tivemos nossas filhas, Daniela em 1.986 e Mayara em 1.989. Largamos nossos empregos para iniciarmos um estilo de vida mais rural em um sítio em Parelheiros-SP. Criamos coelhos e frangos, abrimos uma vendinha e, após 2 anos, desistimos de uma vida cheia de promessas, mas muito difícil. Vendemos tudo-porteira fechada e mudamos para Maceió-AL, onde chegamos em 1.990. Ficamos hospedados por 12 dias na casa da Dna Áurea e Sr. Luis, na cidade de Rio Largo, que nos acolheram sem saber quem éramos. Eles nos apresentaram a Dna Edna e Sr. Wilson que forneceram material de construção para pagarmos ao final de cada mês. Tivemos sorte, pois sem essas 4 pessoas nossas vidas tudo, com certeza, seria muito mais difícil.
Procuramos terreno na orla para construir uma pousada, mas o dinheiro era pouco e optamos por mudar os planos e construir uma pizzaria, mas sem conhecer a cidade não conseguíamos achar um local que nos agradasse. Muito triste entrei em uma imobiliária e a Rita, nem sei se era a proprietária, a secretária ou a corretora, forneceu a informação de ouro – Os terrenos na Serraria não tem muito valor comercial e ninguém quer investir lá, mas daqui uns 8 ou 9 anos Maceió terá que crescer para lá. E foi para lá que nos dirigimos!

Compramos terreno na Serraria onde, até hoje, é localizada a Pizzaria Del Popollo. Iniciamos as obras em julho de 1.990, saímos da casa da Dona Áurea e do Sr. Luis e nos hospedamos por 7 dias no que sobrou do já infame Hotel Atlântico, ao lado do poluído e fedido Riacho Salgadinho. Nesses 7 dias construímos uma pequena casinha com quarto, cozinha e banheiro e, mesmo sem reboco, mudamos para o nosso terreno. Compramos móveis usados na loja do Chico localizada próximo à feira do passarinho, centro de Maceió.

O Daniel, o Seu Sérgio, pai do Daniel, um ajudante de pedreiro e, as vezes eu, construímos a primeira parte da pizzaria que foi inaugurada em fevereiro de 1.991 com apenas 5 mesas.  No dia da inauguração estávamos tão cansados que nem me lembro de como foi, sei que devido ao não movimento resolvemos fazer entregas de bike e isso não deu muito certo e o entregador virou auxiliar de pizzayolo.

Em 2.010 entregamos a pizzaria para nossas filhas e fugimos de casa para sempre voltar e recomeçar o quebra e constrói, o arrasta e empurra, agora sob a batuta da Daniela e sempre com a criatividade do Dan.

Agora em 2017 a Mayarinha está estudando em Recife-sua segunda universidade e esperamos que não se torne estudante profissional, o José está, também se inteirando e participando do dia a dia, das mudanças e discussões.
Depois de tudo isso vem nossos amigos e clientes e questionam o motivo pelo qual não abrimos outra pizzaria e ficamos com duas. E, ai respondemos em uníssono! – Somos uma família e gostamos de trabalhar e estar juntos. Ao final de cada noite, jantamos juntos, sempre na pizzaria e, mesmo sentindo falta da Mayarinha que só retorna de Recife aos finais de semana, nos divertimos relembrando causos, trocamos idéias e fazemos planos para o futuro. Somos felizes assim! Sabemos, trabalhando juntos, convivendo e viajando, fazendo planos para um novo roteiro, planejando um novo prato, novo cardápio, uma vida sem monotonia que caminha sempre em busca de novos recomeços e eternas lembranças.

Após 25 anos de reformas constantes, ampliações, adaptações, e muito mais já temos 50 mesas e, ainda muitos planos. A pizzaria é um eterno canteiro de obras.

Mas foi em 1.994 que a vida nos empurrou, novamente para outro mundo, o náutico! Alem de trabalhar e construir, fomos brincar de marinheiros. E, aí as lembranças do nosso ingresso nesse mundo de água, sonhos, algumas tempestades e muito planejamento são muitas. Em 1994 com nossos novos brinquedos começamos a desvendar os mistérios do mar. Primeiro uma lanchinha que nos levava no máximo à bela Barra de São Miguel, depois o veleirinho THEO que nos levou um pouco mais longe à Barra de Santo Antonio e depois chegou nossa primeira casa flutuante o CALIEL. Ai chega a hora que você puxa a cadeira e senta, pois tem história para ler. Lógico que não vou lembrar de tudo, das sensações e sentimentos, alegrias, sustos e besteiras, mas tenho aqui a ajuda de um arremedo de diário, que por sorte escrevi e não joguei fora.

Foi com o CALIEL que tomamos gosto por viagens cada vez mais distantes e muito mais demoradas, incluindo o planejamento, as mudanças de rumo e sonhos, em família traçamos roteiros e vontades e após curtos passeios pela orla de Maceió para ajustar o CALIEL e aprender a operar um veleiro tão grande, em setembro de 1.996, navegamos para Recife e de lá participamos de nossa primeira regata à Fernando de Noronha. Tivemos a companhia de Hélio Magalhães, Roberto Buenos Ayres e José Carlos, todos com muito experiência no mar e que nos ensinaram o básico e o não tão básico assim! O Hélio nos ensinou muito da parte técnica, mas também, a escutar as ondas, apreciar o movimento do veleiro, que em silencio faz companhia às estrelas, enfim aprendemos com ele que o veleiro não é só um meio de transporte é um estilo de vida criado entre nós e o meio em que vivemos.

Em 1997 embarcamos as meninas no CALIEL e rumamos para a aventura de nossas vidas! Saímos de Maceió nos despedindo de amigos em uma noite enluarada, isso eu lembro! Uma emoção danada, as meninas mal se continham de felicidade e rumamos para Recife! De lá para Natal, Fortaleza, Guiana Francesa incluindo ai a Ilha do Diabo e por lá fomos

Mas antes de embarcar as meninas nos preocupamos com nossa reserva financeira e com os estudos, por isso construímos algumas casinhas para alugar e matriculamos as meninas na Calvert School dos EUA, pois tínhamos a indicação da Heloisa e Vilfred Schumann de que a escola era especializada em ensino á distância (e  não nos arrependemos), pois aprendemos o idioma Inglês o que nos ajudou e, muito em nossas andanças.

Retornamos vendemos o CALIEL, compramos o CAHETHEL e depois veio a construção do TIKI TAKI e por fim o TEASA. Todos os veleiros nos levaram para algum lugar, em viagens curtas ou longas, todas interessantes e cheias de erros e acertos, que só os que soltam as amarras cometem..

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